Bem me quero

20:16

Imagem via Google

Olho diante do espelho. Quem é essa moça tão bonita que eu vejo? O que ela andou fazendo pra reluzir tanto assim? O que está tomando, ou seja lá qual for a fórmula mágica que essa mulher resolveu adotar pra vida?
Nunca vi sorriso assim. Ela sorri leve, ela dá gargalhada sempre que pode e sorri com os olhos também. O que acontece com essa moça? Eu queria muito saber. Todos olham e veem o que eu vejo, mas é impossível entender como ela consegue ser assim. Como fazer uma leitura desse livro tão escancarado e tão reservado ao mesmo tempo?
Todos realmente a veem, mas só veem seu corpo, a história conhecida, o que e como é compartilhado. Todos a veem apenas pelo que ela permite ser visto, ou deixa escapar pelas entrelinhas. A verdade é que para ver, é preciso olhar para além do que é tocável, o que é palpável e alcançável. Não se pode medir a sua vida apenas pelos olhos físicos, tão presos ao vazio.
Para enxergá-la é preciso ir além, é preciso ouvir seu coração. E que coração! Seus sentimentos pulsam do peito como quem tenta ganhar o mundo a cada esquina, a cada instante da vida. Num sussurro seu coração se aquece e se apetece, com a plena convicção de que já não há demoras, é tempo de sentir inteiramente aquilo que se vive.
Pensando bem, até consigo entender um pouco mais agora, que tento olhar pra ela com os olhos limpos, sem a sujeira da expectativa que não fala nada sobre ela, apenas cria uma imagem que nada tem a ver com a moça bonita que eu vejo aqui, diante de mim.
É que ela experimentou tantos vazios, que foi preciso entendê-los, olhá-los de frente, acolhê-los em seu colo, e aí então fazer com que sejam seus vazios, com todo o cuidado. Desde que os fez seus, eles passaram a se preencher, de histórias, memórias, sentimentos, sentidos, sonhos, desejos e tantas outras possibilidades que só quem mergulha em si pode alcançar. E não é por nada não, mas é que o principal não está na margem, é preciso mergulhar bem fundo, e encarar a imensidão para encontrar o seu lugar preferido, e então submergir ainda mais forte.
Essa moça sorri por que está inteira, por que se sente assim, por encarar sua vida como sua. Não é fácil, nem é tão difícil como parece ser, mas é preciso dedicação, silêncios, faxinas, abrir mão, ceder e sobretudo se permitir, para que esse encontro consigo mesma seja real e traga todos os sentidos possíveis.
Olho diante do espelho, e essa moça sou eu, assim inteira, assim desnuda, assim. E essa beleza é tão subjetiva que nem me apego a ela, mas a sinto em mim como sentimento, com a grandeza de um amor próprio que ninguém poderia me dar a não ser a minha jornada. Até aqui encontrei esse amor e como ele espero caminhar de mãos dadas, e mesmo que tropecemos, que possamos olhar um para o outro e agradecer por estarmos juntos, porque preciso dele e ele de mim, para que a inteireza se faça em nós, para que faça morada e não finde. 
Ela tem caminhado, portanto, sem se perder tanto assim, tem feito dos encontros sua fórmula mágica, e das inquietações a energia para voar mais alto, se amando sempre mais, numa relação sutil e acolhedora entre seu corpo, seu coração, sua alma e seus sonhos. Se querer bem é o melhor que se pode fazer por si, pelos outros, pelo bem que se quer em estar aqui, seguindo a caminhada.



Magda Albuquerque

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1 comentários

  1. que texto mais cheio de auto amor ♥ tava precisando tanto. queria esbarrar com essa moça no espelho...

    beijo Magadíssima.

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